“As coisas pioraram muito. Não há mais respeito, não há tolerância, os direitos humanos são cada vez mais desrespeitados. As pessoas se odeiam, se atacam. Antes não era assim. As pessoas não se ajudam mais. Ninguém quer mais saber de ninguém. Está tudo piorando”.
Muita gente compartilha deste pensamento e desta sensação. Sim, eu sei que temos motivo para achar isso. Mas o que eu quero dizer hoje é: amigos, isso não é verdade. O que nos dá a falsa sensação de que tudo está muito pior, que está catastrófico, que as pessoas se odeiam e ninguém mais se preocupa com o outro é o fato de termos hoje duas coisas fundamentais: liberdade e acesso à circulação de nossas vozes.
Hoje as pessoas se sentem confortáveis para dar sua opinião – seja lá qual for ela. E sentir-se confortável para opinar é uma forma importante de liberdade, de ser e sentir-se livre. Toda essa manifestação de ódio que presenciamos todos os dias, as descobertas de tantos casos de corrupção, as manifestações de intolerância de todos os tipos, a discussão sobre o poder da indústria sobre nossas vidas, nossos filhos e nossa saúde nos dão a falsa sensação de que o apocalipse zumbi é aqui e é agora. Mas a única diferença entre antes e agora é que agora estamos falando sobre… E nossa fala, enquanto coletivo, está repercutindo. O ódio sempre existiu, a intolerância idem, corrupção e influência mercadológica muito mais. A questão é que a descentralização da circulação da informação e a relativa (muito, muito relativa) liberdade na qual estamos vivendo, onde todos se sentem confortáveis para dizer o que pensam, escancarou tudo. 
É também por isso (mas não só) que creio e sinto estarmos em pleno momento de mudança positiva. Se há terreno confortável para a manifestação dos ódios, também há para que boas ideias e ações transformadoras surjam, sejam valorizadas, reconhecidas, aceitas, fortalecidas, apoiadas pela coletividade. Cada vez mais gente está empreendendo tendo o bem estar coletivo como meta. Tendo o problema do outro como alvo a ser solucionado. Tendo a dor do vizinho como motivação para saná-la. Mais do que os que se sentem confortáveis para gerar rancor e mesquinhez, nós estamos nos sentindo confortáveis para trabalhar efetivamente pelo que ajuda, apoia, fortalece, protege. Há muita gente trabalhando por nós. Pela minha dor. Pela sua dor. Por dores invisibilizadas. Por gente que não aparece, que não tem voz. Essas pessoas não são notícia com frequência, porque o que vende é a notícia ruim e a polêmica. Mas não deixam de existir.
Há dois meses tive a mais completa dádiva de ser selecionada, junto com o nosso Cientista Que Virou Mãe e sua equipe, para ser labber de uma iniciativa chamada Social Good Brasil (SGB). Você pode conhecer mais sobre o SGB visitando seu site. Ser uma labber SGB significa, em linhas gerais:
eu tenho uma iniciativa >>> que vem ajudando, apoiando e fortalecendo pessoas >>> que é reconhecida como estratégica em função da área em atua (mulheres, empoderamento social e infância) >>> que precisa se tornar sustentável financeiramente >>> para que não deixe de existir >>> para que se amplie >>> para que alcance e ajude ainda mais pessoas >>> e por isso estou passando por aprendizados intensos >>> mediados por grandes especialistas na área do empreendedorismo social.
Mais que isso: significa que não estamos sozinhas nessa. Que esse sonho idealista de trabalhar para ajudar pessoas e mudar um paradigma, nas mais diversas áreas, é compartilhado por muita gente, de todos os cantos deste país. O Cientista Que Virou Mãe é labber Social Good Brasil 2015 porque queremos
que a informação que chega até mulheres, mães e demais cuidadores da infância e que nos orienta em nossas decisões possa ser produzida por quem entende do assunto, que sabe onde dói, que conhece nossa realidade e que a despeito de tudo isso tem sido marginalizada de todas as formas: mulheres mães. E com as grandes corporações fora disso. Mas somos apenas uma iniciativa… Uma em um oceano de coisas lindas. De gente especial. São, hoje, 47 iniciativas de todos os cantos do Brasil, que estão atacando problemas sociais e ambientais de todos os tipos. Nos últimos três dias, estivemos em mais um processo de imersão para o aprendizado. Foram quase 100 pessoas reunidas em 72 horas de trabalho dedicado, intensivo, de trocas, construções, desconstruções e reconstruções, pautados pela mais profunda empatia. Suamos. Choramos. Trabalhamos enlouquecidamente com todo amor e dedicação que há em nós. Tudo para que nossas ideias se tornem reais e concretas. 47 iniciativas de todo o Brasil e não há como dizer qual a mais relevante, simplesmente não há. Porque não partimos de uma perspectiva vertical. Partimos de uma horizontalidade e de um novo paradigma que fortalece a abundância, e não a escassez. Somos todos importantes. Somos todos fundamentais.
Então hoje, com todo amor e pautada pelo mais sincero sentimento gregário, quero que vocês, que conhecem e acompanham o Cientista Que Virou Mãe em nossa caminhada conjunta, possam conhecer 5 dessas iniciativas que, de alguma forma, me emocionaram muito. Seja pelo tema com que trabalham, seja pela interação que tive com seus idealizadores, seja porque eu também me envolvo com suas áreas de atuação. O que eu quero com isso? Quero que vejam como tem gente trabalhando com coisa importante. Como tem gente que está dedicando suas vidas à mudança positiva. Como tem gente que não compactua com o ódio, a corrupção, a escassez, a competição. E olha para o outro e quer mudar uma realidade. Conheçam esse pessoal, suas iniciativas, apoiem-nos, fortaleçam-nos. É no coletivo que mudamos. Se não mudamos como coletivo, então não mudamos.
TERAPIA COLETIVA (Florianópolis – SC)
Tem histórias que nos interessam, outras nos tocam e algumas nos movem. Um estupro à luz do dia, no Parque da Redenção, em Porto Alegre, nos moveu. Depois vieram outros estupros, noticiados nas capas de jornais e pela internet. Alguns comentam, muitos calam. A pergunta que não se cala é: e agora? o que vem depois? Como essas vítimas continuarão suas vidas? Quem irá acolhê-las? Quem vai abraçar? Foi pensando nisso que surgiu a Terapia Coletiva, uma iniciativa que busca formar uma rede de experiências, um espaço colaborativo de acolhimento onde pessoas possam ajudar a ajudar pessoas. A terapia é um processo de cura, então uma simples mensagem de carinho pode ter efeito terapêutico. Queremos ajudar vítimas de violência sexual a ressignificarem suas histórias, se você também quiser, junte-se a nós! deríamos fazer tanto mais se fôssemos envolvidos. Porque o que melhor aprendemos, fizemos em viver a experiência, com quem se credencia pela vida como inovador. Nossas mães e avós, por exemplo, que se viraram para que tivéssemos mais oportunidades de felicidade… Ou o povo resiliente que é maioria em nosso continente e sorri”.
Através do conhecimento de sua história e lugar, um conhecimento nasce, que pode ser compartilhado, virar negócio, gerar renda e transformar realidades. Para isso, é necessário democratizar o conhecimento em tecnologias sociais, construção de projetos,no empreendedorismo social principalmente no Norte e Nordeste brasileiro.Assim esse portal eletrônico surgiu se propondo a ser um “Hub” para a transformação social usando como ferramentas histórias de vida, a formação e o empreendedorismo social, onde a informação sobre empreendimentos de empreendedores brasileiros sejam divulgados contribuindo com ferramentas capazes de empoderar jovens,junto a um guia de cursos e formações destinadas a professores, estudantes e jovens que buscam criar, complementar e construir projetos em suas comunidades e escolas fomentando um processo empreendedor em rede que leve a impactar realidades em todo o Brasil.
EMPATIA, ela é o coração de nossa iniciativa. Neurocientistas afirmam que 98% de nós temos habilidades de praticá-la, mas infelizmente poucos conseguem atingir todo seu potencial empático. Nós acreditamos que a empatia é uma poderosa ferramenta para a mudança social. Nossa ideia consiste em criar uma plataforma onde diferentes grupos formarão uma rede e, assim, realizaremos o que chamamos de “Encontros de Empatia” ao conectar diferentes organizações. Com o poder da multiplicação de conhecimento, podemos exercer o uso da empatia e do não-julgamento ao próximo. Queremos possibilitar que diferentes grupos, com diferentes dificuldades e realidades se conheçam. Como conectar grupos de empresas com crianças cegas; grupos de deficientes físicos com crianças que vivem em comunidades; crianças de escolas particulares com grupos de idosos. E assim, acreditamos que ao proporcionarmos encontros que favoreçam a diversidade humana, mais estimulamos a empatia e a inclusão social. ópria vida e difusores de sua cultura. No projeto, jovens refletem sobre suas experiências de vida, no contexto sócio-cultural em que vivem, fortalecendo sua identidade, de suas famílias e da comunidade.






