Muitas mulheres me procuram extremamente incomodadas com o fato de que deixaram...
Não é de hoje que vivemos uma supervalorização da busca por determinados...
Nós não fomos ensinados a nomear o que estamos sentindo para poder...
O que aconteceria se todas as mulheres pudessem começar sua vida sexual...
Você sabia que se nós, mulheres com útero e que menstruam, pudéssemos reunir todos os dias em que estamos menstruadas passaríamos cerca de 6 anos e meio vivendo a menstruação? Seriam 6 anos e meio sangrando todos os dias. Seis anos e meio de nossas vidas. Assim, pergunto: dá para, simplesmente, abrir mão de 6 anos e meio? Dá para amaldiçoar 6 anos e meio das nossas vidas? Não dá... Isso significa que temos que agradecer e gostar e endeusar esses dias? Também não, afinal de contas cada uma sabe como a menstruação é para si e romantizar e padronizar essa vivência também é uma forma de opressão. Cada uma de nós tem uma história e vivências as mais diversas, e toda forma de padronização exclui humanidades. Então, o que podemos fazer para lidar melhor com nossos períodos? Duas coisas, ao mínimo: 1) Compreendê-los verdadeiramente e ao seu significado, bem como as construções que fizemos sobre nossa menstruação ao longo de nossa história, e 2) Aprender a lidar com eles. Não apenas com os dias de sangramento, mas com o ciclo de maneira geral.
Quando estamos em sofrimento, esquecemos que habitamos um corpo que é muito potente. Ele se molda aos desafios que vivemos. Mas é preciso dar uma forcinha. Mude a rotina. Mude as práticas. Faça coisa que você consideraria sem propósito. E, tão importante quanto, estimule as crianças a fazerem o mesmo, envolva-as nas atividades. Isso também é ciência, ciência a favor da humanidade, ciência para persistirmos, ciência para resistirmos, ciência para melhorar vidas.
Eu não educo essa garota. Vocês não educam os filhos de vocês. Nós nos educamos, mediatizados pelo mundo. E citar Paulo Freire em meio a tudo isso me torna mais calma. Talvez seja isso... Ter referências sólidas nos dão discernimento para passar por isso. E ensina as crianças a fazerem o mesmo.
E assim foram 100 dias da minha vida. Sou muito grata. Verdadeiramente. Porque 50.000 de mim, do meu povo, não puderam contar sua história. Estou sobrevivendo. Não porque não morri de COVID. Mas porque continuo mantendo meus valores e cuidando de quem eu amo. E vou honrar cada dia dessa vida que está persistindo, enquanto as de tantos estão sendo ignoradas. 100 dias de não solidão.
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Não existe um país das maravilhas, mas se ele existisse, seria composto por mulheres mães bem acompanhadas, fortalecidas e cuja maternidade não seria um ato compulsoriamente atribuído a elas, mas a todas e todos deste tal país.
Olá! Eu sou Ligia Moreiras, a Cientista Que Virou Mãe. Há 10...