Uma bióloga, educadora ambiental, cientista ambiental, mãe de um menino de 5 anos que tem um nome lindo e que sabe identificar os tipos de tubarões e descrever o ciclo da borboleta monarca.
Uma cientista que aprendeu na prática a importância da busca ativa por informações sobre gravidez e maternidade.
Uma cientista que termina um texto sobre sua vida agradecendo a Deus – para quem acha que ciência e fé são coisas excludentes.
Hoje, tenho a alegria de abrir espaço para uma história de amor pela biologia e pelo filho. A história de uma mulher que tem a seguinte frase como assinatura em seus e-mails:
“Faça seu filho saber que ele é um milagre, que desde o alvorecer da história não houve criança como ele e não haverá enquanto o mundo existir” – Pablo Casals
Danielle Romais. Uma cientista que virou mãe.
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Sou Danielle, Dani, DaniSapoo
Mas ultimamente meu título oficial mais usado é Mamãe.
No primeiro dia de aula, enquanto o coordenador do curso falava de todas as possibilidades (e dificuldades) de um profissional da area biológica, eu finalmente me dei conta de que meu lugar não era num hospital, como médica.Gravidez e Vida Acadêmica:
No final do meu curso, durante um congresso de Mastozoologia [a Mastozoologia estuda os mamíferos] no qual estava ministrando um mini-curso de invasoras, me descobri grávida. Lutei contra uma maré de conselhos e palpites das mais diversas fontes. Descobri em mim uma força avassaladora e instintiva. Comecei a participar de listas de discussão sobre maternidade. Aprendi muito sobre parto natural, maternidade com apego, cama compartilhada e amamentação prolongada. Passei os primeiros 10 meses do Kiyo imersa nesse mundo novo que me descobriu, participando apenas de forma esporádica de encontros e reuniões relacionadas à invasão biológica. No entanto, a coceirinha científica voltou e pouco antes do Kiyo completar 1 ano, iniciei um curso de especialização em Educação Ambiental.
Mesmo com atividades fora de casa, em momento algum pensamos em colocar o Kiyo na escolinha antes que ele próprio demonstrasse interesse. Acreditamos piamente na criação não terceirizada. Então fazíamos de tudo para que sempre pudéssemos incluí-lo em todas as atividades.
Mudamos para os EUA logo após defender a monografia da especialização. Kiyo tinha apenas 2 anos e meio na época. Chegamos aqui novamente no final de 2009. Tivemos que fazer vários malabarismos para que mantivessemos nossos ideiais de educação para ele.
Acabo de ingressar no programa de PhD em Geociências, com enfoque em BioGeografia e invasão biológica. Continuo também na busca incessante de um mundo melhor para o Kiyo. Ele é a razão para que eu continue pesquisando, hipotisando e aprendendo. Antes de ser mãe eu não conseguia colocar o dedo na razão pela qual optei ser cientista.



