Na postagem anterior, há um vídeo impactante sobre a importância do comportamento dos adultos sobre a vida e comportamento das crianças, com o subtítulo de “A criança vê, a criança faz”. Qual a mãe ou o pai que já não se questionou sobre o impacto de suas próprias atitudes sobre o comportamento de um filho? As crianças aprendem, também, pelo exemplo, vendo o adulto fazer. O convivio diário com determinadas situações e contextos faz a criança construir uma visão de mundo em que esses contextos e situações tornam-se naturalmente presentes e – mais importante ainda – indissociáveis. Coisas e situações repetidamente presentes são compreendidas como partes naturais da vida. Quem cresce vendo tapa, aprende que é pelo tapa que se resolve – até que tenha cérebro e sensibilidade suficiente para concluir que não se ensina nada de bom batendo, apenas que um se acha no direito de violentar o outro. Quem cresce vendo tratamentos hostis contra outras pessoas aprende que é assim que se trata o outro. 
Aqui em casa, os livros têm lugar de destaque e podem ser vistos em todos os cômodos, sem exceções.
Nós gostamos de livros, estamos sempre com algum em mãos e, pelo menos nesta casa, não são apenas artigos de decoração. No quarto da Clara, onde ela passa pouquíssimo tempo, tem livrinhos desde quando ela ainda estava na barriga: os que eu vou comprando ou ganhando somados aos meus de infância, que guardei para possíveis filhos – a gente só guarda para os filhos o que considera importante…
Um bebê que cresce em meio a livros tende a valorizá-los e a vê-los como naturais. Tanto é assim que, hoje, já existem bebetecas, as bibliotecas para bebês, “voltadas exclusivamente para crianças de quatro meses até cinco anos de idade, com organização planejada para desenvolver a autonomia dos pequenos. O objetivo desses espaços é incentivar o gosto pela leitura desde cedo, atráves da contação de histórias e da apreciação de livros, contribuindo para que a criança desenvolva o pensamento, a atenção, o raciocínio,o estímulo, a imaginação, a comunicação. Além disso, busca-se a interação entre o adulto, o livro e a criança e o acesso à leitura literária é também o foco do trabalho“. Como se subentende pelas aspas e itálico, esse trecho não é meu. É de Márcia M.M. Rabe e Siumara A. de Lima, no artigo “O desafio de formar o leitor diante das novas tecnologias a partir da utilização do espaço bebeteca – biblioteca para bebês“, que você pode acessar clicando ali mesmo no título e que agora está na aba Maternidade Consciente deste blog. As autoras começam justamente afirmando que:
(…) quanto mais cedo a criança for apresentada aos livros e a uma boa leitura, maior será seu interesse por toda a vida.
A Clara é ainda bebê e, ainda assim, sempre teve contato com livros. Talvez porque sempre nos veja mexendo neles, e também porque são coloridos, bonitos e interessantes, ela sempre se interessou.


“Se ler verdadeiramente é poder ler algo que ainda não conhecemos, aqueles que não nasceram no mundo dos livros terão necessidade de nada menos que uma reestruturação de seu horizonte cultural para que se tornem leitores”
Se as crianças precisam da encenação, do faz de conta, do reproduzir para construir seu mundo e se verem dentro dele, acredito que os livros, com suas histórias, viagens, estímulos, possam ajudá-las nessa tarefa. Inclusive por isso, acredito que se crianças reproduzem o que vivem, e a leitura é uma forma de vivência, há que se ter muito cuidado na escolha dos livros, para que não incentivemos nossos filhos a quererem reproduzir padrões que reforcem a discriminação, o preconceito e o sexismo.

esse tipo de atividade garante a construção de mundo mais elaborado,




