
Chegou hoje pelo correio uma correspondência muito especial. A amiga Andreia Mortensen, autora bem conhecida de excelentes textos sobre maternidade ativa e consciente, ativista contra a violência infantil e também neurocientista, que mora na Filadélfia, me mandou um exemplar da tal edição polêmica da Time. Confesso que depois dela ter se dado ao trabalho de traduzir toda a versão impressa, que não está disponível on line, e compartilhar conosco do grupo Maternidade Consciente, perdi o interesse pela leitura (rasa e equivocada). Mas ter recebido esse presente foi muito especial. Afinal de contas, foi a partir dessa polêmica que começamos a falar mais, aqui no Brasil, sobre a criação com vínculo, com afeto ou “com apego”. Foi quando começaram a sair as matérias mais coerentes – e as nem tanto – sobre o assunto (no último final de semana saiu mais uma matéria com a minha participação, no Diário Catarinense, matéria que saiu também na Zero Hora de Porto Alegre e no A Notícia, de Joinville) e quando aconteceu a postagem coletiva Criação com apego: maio amor, menos preconceito. Muita coisa bacana foi produzida e mesmo as nem tão bacanas assim se mostraram úteis à medida que dezenas de mulheres de dedicaram a apontar os equívocos. Como eu previ logo que a polêmica surgiu: seria um ótimo momento pra mostrar que tudo o que se fala contra é, apenas, preconceito. E já que falei no assunto maternidade consciente e criação com apego, compartilho aqui um vídeo muito importante sobre o assunto. Uma entrevista conduzida pela jornalista Ceila Santos, do Desabafo de Mãe, com Eleanor Luzes, sobre isso: maternidade consciente. Uma bela entrevista sobre a importância de questionarmos a repetição de comportamentos em nossas histórias, através das gerações. Da importância do autoconhecimento se quisermos ser pais mais presentes e ativos. Da importância da concepção consciente, que é mesmo bem minoritária (é por isso, inclusive, que não vivo essa ansiedade, que parece ser comum em quem tem filhos pequenos, de ter outro filho tão cedo, porque minha gestação não foi planejada e, se um dia houver outra, gostaria de ter a consciência de planejar, de escolher o momento, de ouvir meu companheiro e, juntos, planejarmos). Da importância das escolhas. E do fato, tão importante, de que grande parte das pessoas, hoje, não têm a menor ideia da própria existência, e não sabe degustar a si próprios. E que zerar a violência passa pela contribuição que a maternidade consciente pode oferecer na criação de crianças emocionalmente mais saudáveis.

