Você se preocupa com o que seu filho come?
Se sim, por que se preocupa com isso?
Se não, por que acha que não precisa refletir a respeito?
Quais os motivos que levam pais e mães a selecionar determinados tipos de alimentos para seus filhos?
A pesquisa, conduzida em 24 países (entre eles Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Japão, Rússia e EUA), teve como objetivo saber quais os principais motivos que levam pais e mães a se preocuparem com a qualidade da alimentação de seus filhos.
Confesso que os resultados me surpreenderam…
O levantamento mostrou que a justificativa mais citada pelos pais para sua preocupação com a boa alimentação de seus filhos foi: ter um coração saudável, tendo sido mencionado por 23% dos entrevistados.
Em segundo lugar, empatados com 18% cada, ficaram: redução do risco de desenvolvimento de doenças ao longo da vida, melhor desenvolvimento cerebral e melhor imunidade.
Especificamente com relação ao Brasil, embora os entrevistados também tenham seguido a tendência mundial de considerar que ter um coração saudável seria o maior benefício da boa alimentação (citado por 29% das pessoas), os brasileiros também mostraram se preocupar muito mais com evitar ou reduzir o risco de obesidade (17%) do que a média mundial, que foi de apenas 8%.
Por outro lado, enquanto em outros lugares do mundo a maior preocupação parece ser reduzir o risco de doenças no futuro e melhorar o desenvolvimento cerebral (18% cada um), o brasileiro mostrou não partilhar da mesma opinião, uma vez que apenas 8 e 9%, respectivamente, dos entrevistados citaram tais fatores.
O resultado me espantou porque eu nunca pensei que as pessoas considerassem um motivo único para se preocupar com o que as crianças comem, talvez porque eu mesma nunca tenha pensado assim.
O açúcar esteve completamente ausente de sua alimentação até completar 1 ano de idade quando, em sua festa de aniversário, agarrou um cupcake e enfiou a cobertura toda na boca. Ela estava no colo do pai, que percebeu que ela olhava para os bolinhos com vontade de comer e se esticava em direção a eles. Ele a deixou alcançar e levá-lo à boca. E ela gostou – claro… Como, até então, ela nunca tinha comido algo assim, ele me chamou para mostrar, naquelas de “mamãe, venha ver o que está acontecendo aqui…”. Quando olhei, fiquei chocada. E rolou aquela de “Caraca, e agora? Dou chilique? Acho lindo? Arranco da mão?”.
Bem, eu penso que proibições mais empurram as pessoas em direção ao supostamente proibido do que o contrário. Arrancar da mão dela seria uma coisa estúpida de se fazer. Então me aproximei e fiquei, com aquela cara de pasmada, observando como ela se comportava. Comeu o bolinho todo, foi alvo de muitas fotos – que ficaram lindas, confesso – e ficou satisfeita. Não rolou uma crise internacional, nem ela quis comer outro ao fim. Simplesmente comeu e pronto, sem estresse. Isso não significa que eu introduzi esse tipo de alimento na rotina alimentar dela, pelo contrário. Mas não é uma proibição.
Ela vai a festinhas, a eventos, a locais onde as pessoas comem de tudo e não há radicalismo. Sou radical apenas para coisas artificiais, refrigerantes, salgadinhos fritos do tipo coxinha, salgadinho de pacote e toda aquela tralharada que vem com mais aditivo que o próprio ingrediente principal. Fora isso, quer comer, come. Com moderação, mas pode. Mas, porque não é habitual em sua rotina, ela também não vai atrás.
Eu me preocupo sim com o que ela come. E, se tivesse sido uma das entrevistadas, responderia: porque acho que uma má alimentação influencia o sono, o humor, o sentimento de satisfação, o comportamento geral e a saúde global. Não me preocupo com a alimentação dela porque pode fazer mal ao coração. Isso também, mas não consigo reduzir a um motivo único. É uma preocupação que abarca múltiplas dimensões: física, emocional, mental.
Tenho aprendido, com minha filha e com os filhos dos outros, que todo extremo é ruim: radicalizar na alimentação, proibindo muitas coisas, os torna ansiosos, frustrados, compulsivos e, paradoxalmente, com ainda mais vontade daquilo que não podem. Vi muita criança comer escondido aquilo que o pai ou a mãe não deixava, ou pedir “Por favor, não conta pra minha mãe?”. Por outro lado, liberar geral causa obesidade, afeto deslocado para o alimento, indisposição, uma série de alterações fisiológicas e, também paradoxalmente, inatividade.
Lembro-me sempre do dia em que minha filha agarrou uma batata-frita da mão de um amigo, enfiou na boca e adorou. Lembro do rostinho dela olhando pra mim com aquela cara de “mãe, pelo amor de Deus, onde estava isso todo o tempo?!”. Deixei-a comer. Mas isso não significa que eu vá fazer batata-frita no almoço ou que vá fazer disso uma rotina. Eu apenas vou respeitar o gosto dela, sem desrespeitar seu próprio corpo.
Uma coisa é importante: além do que eles comem, tão importante quanto é COMO eles comem. Como o pai, a mãe ou o cuidador os alimentam. Alimentação deve ser feita com atenção, com cuidado, com amor. É um momento de cuidado e, como tal, precisa ser feito afetuosamente. Xingamentos, ameaças, retirada abrupta da comida, forçar, não combinam com o momento… Isso não si
gnifica que vamos deixá-los fazer da comida confete, jogando carnavalescamente por todo o chão, nem coisas do tipo. Mas alimentar com amor faz toda diferença e ajuda a criar uma boa relação com os alimentos.
Boa alimentação infantil faz bem ao coração, sim. Tanto como bomba propulsora do sangue quanto como símbolo do amor e do afeto.
Da próxima vez que for alimentar seu filho, lembre-se: é, também, de amor que ele está se alimentando. E sem essa de Sazon.

.jpg)

