Quando a gente resolve criar um blog, tudo pode acontecer. Pode ser que ele fique lá paradão, ou pode ser que você se dedique ativamente a ele. Pode ser que ele sirva como agregador de amigos e família, ou pode ser que se escreva anonimamente por medo de expor a si e sua própria vida. Pode ser que ele sirva como um diário aberto, ou como um espaço para análise crítica de temas que te interessam. Ou não, pode ser que se queira apenas um espaço menos fechado que um editor de texto para dar vazão aos próprios pensamentos.
Hoje, não escrevo anonimamente: escrevo com nome e sobrenome, assumo o que escrevo, dou a cara a bater. Venci a tendência narcisista que te faz querer ser anônima para não revelar a verdade sobre quem se é, como se fosse possível ser diferente dos demais, ou de certa forma especial, a ponto de não dar aos outros o luxo de saber mais sobre si. Também não temo mais a crítica alheia, que somente me interessa quando vem para somar, de maneira sincera e inteligente, e não pelo criticismo improdutivo de quem pouco tem a contribuir mas não consegue controlar o impulso destrutivo.
O livro “Blog: comunicação e escrita íntima na internet”, de Denise Schittine – que recomendo a quem se interessa pelo assunto – tem um trecho que fala especificamente sobre isso, sobre a oportunidade de encontro com o Outro que escrever um blog permite:“A fixação na mente do leitor – esse Outro para quem escrevemos – se dá quando mostramos que somos também um pouco parecidos com ele. É dando a ele a sensação de que, quando está lendo sobre nós, lê sobre si mesmo. Como bem definiu Stella Cavalcanti numa entrevista: ‘Os blogs permitem que diferentes pessoas se conheçam melhor, nem que seja para a simples identificação. Todo mundo tem seus dias bons e ruins’. O leitor precisa sentir que está tendo acesso a uma memória que também é sua. Que quando o diarista constrói uma memória, ela é elaborada em conjunto com a dele. O escritor do blog tenta resgatar uma experiência, um momento, um sentimento compartilhado com o leitor na tentativa de fazer com que este não se esqueça dele – da mesma forma que não abandonaria a si mesmo”.
pítulos de livros, ou matérias de revistas, ou de oferecer palestras e conduzir bate-papos sobre temas dos quais trato aqui. Na semana que passou, em uma aula de bioética, uma colega simplesmente me perguntou se eu tinha a noção do alcance que esse blog havia adquirido; que ela tinha ido à Brasília e, sabendo que ela fazia pós-graduação no mesmo departamento que eu, a perguntaram se me conhecia.
De mãos de mães, de mulheres, de cientistas, de ativistas, de simpatizantes, de gente que também trabalha nas madrugadas. Composto por 5 capítulos que abordam diferentes temas sobre os quais trato neste blog, proposto para ser realizado em 6 meses e que pode dar origem a um livro em formato impresso ou eletrônico. Então ontem saiu o resultado da primeira fase do processo de seleção e o projeto foi considerado habilitado para concorrer ao financiamento. Agora ele vai para a segunda e última etapa.


